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Trajetória

Lilly Araújo revisita 30 anos de carreira e reencontra memórias que atravessam gerações

Do sucesso à frente da Banda Bali à carreira solo, artista revisita momentos marcantes, fala sobre memória afetiva e apresenta audiovisual que celebra três décadas de música

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 'Não vou negar' uma história construída ao longo de 30 anos de música / imagens: reprodução Instagram

Aos 17 anos, Lilly Araújo queria apenas cantar. Havia o frio na barriga dos primeiros palcos, a emoção de ouvir a própria voz diante de uma plateia e a insegurança de quem ainda não sabia o tamanho da história que começava a escrever. Naquele instante, não havia planos para três décadas de carreira, apenas a vontade de cantar. O tempo trataria de transformar esse desejo em trajetória: 30 anos de música, atravessando mudanças, encontros, recomeços e diferentes versões de uma artista que fez do palco seu lugar de permanência.

“Lembro muito da emoção e da insegurança dos primeiros palcos. Naquela época eu não pensava em carreira, pensava em cantar. E foi cantando que a carreira aconteceu”, relembra.

Em entrevista exclusiva ao portal Coluna Sempre Mais, Lilly revisita os principais capítulos dessa história: a relação com a música, os aprendizados construídos ao longo de 30 anos, a passagem pela Banda Bali, a construção da carreira solo, a memória afetiva do público piauiense e o novo audiovisual que celebra sua trajetória.

Formada em Análise de Sistemas, Lilly nunca exerceu a profissão. Passou pela televisão como apresentadora e repórter, mas foi na música que encontrou seu lugar. Mais do que uma escolha racional, a carreira parece ter acontecido pelo próprio curso da vida, como ela mesma define.

“Eu acho que nunca escolhi a música de uma forma racional. A música foi me escolhendo ao longo do caminho. O mercado mudou muito, as formas de consumir música mudaram, os palcos mudaram, mas a minha vontade de cantar permaneceu. Acho que o que me fez continuar foi justamente entender que, antes de ser profissão, a música é uma parte muito importante de quem eu sou. E, enquanto eu tiver algo para cantar e alguém disposto a ouvir, eu vou querer estar no palco”, conta.

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Fã de Os Beatles e admiradora de Ivete Sangalo, Lilly também enxerga a música como uma escola para a vida. No palco, aprendeu sobre encontros, diferenças e entrega; fora dele, descobriu uma força que, aos 17 anos, talvez ainda não soubesse que tinha.

“A música me ensinou muito sobre pessoas. Sobre diferenças, sobre encontros, sobre entrega e também sobre respeito. Me ensinou que cada pessoa escuta uma mesma música de uma maneira diferente porque carrega a sua própria história. E, sobre mim, talvez a maior lição tenha sido descobrir que sou muito mais forte e persistente do que imaginava. A minha trajetória me ensinou sobre levantar, recomeçar e continuar acreditando”, descreve.

Há 16 anos em carreira solo, Lilly também precisou transformar uma identidade construída coletivamente em uma assinatura própria. Depois de 14 anos à frente da Banda Bali, o desafio não era apagar o passado, mas encontrar espaço para novas versões de si mesma.

“Foi um processo de muita coragem e também de muito aprendizado. A Bali foi uma escola enorme para mim, então sair daquela identidade coletiva e construir uma identidade própria significava descobrir quem era a Lilly além da banda. Já são 16 anos de carreira solo, experimentando, amadurecendo e entendendo melhor a artista que eu queria ser. Acho que hoje consigo olhar para trás e perceber que não precisei apagar a Lilly da Bali para ser a Lilly solo. Eu apenas fui acrescentando novas camadas à minha história”, afirma.

Durante o período em que esteve à frente da Banda Bali, Lilly construiu uma sonoridade que marcou uma geração e deixou canções que permanecem no imaginário musical do Piauí. “Não Vou Negar”, “A Vez da Ex”, “Bad Boy” e “Ainda Te Amo” estão entre os sucessos que atravessaram aquele período, especialmente entre 2006 e 2009. Ao revisitar essa fase, Lilly fala menos sobre nostalgia e mais sobre pertencimento.

A Bali representa uma parte muito bonita e muito fundamental da minha vida. Foram 14 anos de histórias, de amizades, de viagens, de palcos, de músicas e de muito aprendizado. A banda me ajudou a me tornar a profissional que sou hoje, mas também fez parte de uma fase muito importante da minha formação como pessoa. Quando penso na Bali, penso em pertencimento, em juventude, em sonhos realizados e, principalmente, em uma história que foi construída coletivamente”, conta.

Talvez seja justamente essa dimensão afetiva que explique a permanência da Bali. Algumas músicas deixam de ser apenas repertório e passam a ocupar um lugar na biografia de quem as escutou. Para Lilly, foi essa identificação que permitiu à banda atravessar o tempo e continuar encontrando novas gerações.

“Acho que foi a verdade. A Bali nunca foi apenas um conjunto de músicos cantando músicas. Existia uma identificação muito grande com o público. As pessoas tinham músicas que faziam parte das suas histórias, dos seus amores, das festas, da juventude. E, quando uma música passa a fazer parte da memória afetiva de alguém, ela deixa de pertencer somente ao artista. Talvez seja por isso que a Bali tenha conseguido atravessar gerações”, afirma.

A dimensão que essa história alcançaria no futuro ainda não fazia parte dos planos de Lilly. Naquele período, a prioridade era viver intensamente a rotina dos shows, das gravações e das novas músicas, sem imaginar que parte daquele repertório permaneceria na memória do público por tantos anos.

Acho que a gente nunca consegue dimensionar o que aquilo que está fazendo hoje vai representar no futuro. Na época, a gente estava vivendo aquilo intensamente, fazendo shows, gravando discos, criando músicas. Não imaginávamos que, tantos anos depois, alguém ainda lembraria de uma música, de um show ou de uma determinada fase da banda com tanto carinho. Isso é uma das coisas mais bonitas que a música pode proporcionar: perceber que você fez parte da memória afetiva de alguém”, declara.

30 anos de carreira

Nesta semana, essa memória ganhou uma nova forma com o lançamento do audiovisual “Lilly Araújo — 30 Anos, registrado em novembro de 2025. O projeto reúne músicas, convidados e diferentes momentos de uma trajetória construída ao longo de três décadas, incluindo o reencontro com a Banda Bali e sucessos que ajudaram a escrever essa história.

Mais do que registrar uma data, o audiovisual representa, para Lilly, uma oportunidade de devolver ao público parte das histórias que nasceram nos palcos.

Eu quero que as pessoas se emocionem, cantem, dancem e, principalmente, se reconheçam nessa história. Que quem acompanhou a minha carreira possa voltar por alguns instantes a momentos importantes da própria vida e que quem chegou depois consiga conhecer um pouco dessa trajetória. Quero que seja uma celebração, não apenas dos meus 30 anos, mas das histórias que construímos juntos ao longo desse tempo. Porque, no fim, uma carreira só existe de verdade quando existe alguém do outro lado para ouvi-la”, diz.

Ao ser questionada pela nossa reportagem sobre qual música escolheria para resumir seus 30 anos de carreira, Lilly não hesitou. A resposta veio em forma de uma canção que atravessa sua história com a Banda Bali e também carrega sua trajetória como compositora: “Não Vou Negar”.

Eu escolheria ‘Não Vou Negar’, porque, além de ser uma música que faz parte da história da Banda Bali e que eu ajudei a construir como compositora, o título traduz muito do que foram esses 30 anos. Eu não vou negar a minha história, as minhas escolhas, os momentos bons e os difíceis, as pessoas que caminharam comigo e tudo o que a música me proporcionou. Depois de três décadas, olhar para trás e poder dizer ‘não vou negar que faria tudo outra vez’ talvez seja a melhor maneira de resumir essa trajetória”, finaliza.

Por: Exclusivo portal Coluna Sempre Mais

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