Natural de Teresina, Lutasi vem consolidando uma trajetória marcada pela composição autoral e pela valorização das narrativas nordestinas. Dono de uma presença de palco magnética e de uma personalidade artística irreverente, o cantor combina teatralidade, sensibilidade e autenticidade, características que, em diferentes momentos, remetem à liberdade estética de Ney Matogrosso, sem abrir mão de uma identidade própria.
Sua relação com a música começou ainda na infância, inspirada pelo avô, repentista, e alimentada por influências tão diversas quanto Luiz Gonzaga, Lady Gaga, Beyoncé e Shakira. Aos 14 anos, incentivado pelo pai, escritor, passou a compor suas próprias canções e, anos depois, apresentou ao público sua estreia autoral, "Só Vou Te Usar", música que marcou o início de sua carreira profissional.
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Vencedor do Tere Music, maior festival de talentos musicais do Piauí, Lutasi já passou pelos principais palcos e teatros do estado e construiu uma comunidade de fãs que compartilha da mesma convicção: a arte é uma ferramenta de identidade, pertencimento e liberdade. Transitando entre referências populares nordestinas e a estética do pop contemporâneo, o artista desenvolveu uma linguagem própria, que transforma suas origens em potência criativa e amplia o olhar sobre a produção cultural piauiense no cenário nacional.

Em entrevista exclusiva ao Portal Coluna Sempre Mais, Lutasi abre os bastidores da nova era artística, "Mesopoty", projeto inspirado no encontro dos rios Parnaíba e Poti que traduz a identidade nordestina em uma experiência pop contemporânea.
Mais do que um projeto musical, Mesopoty nasce de uma experiência íntima de reconexão. Ao revisitar memórias familiares e refletir sobre sua própria origem, LUTASI encontrou na ancestralidade o eixo criativo que redefiniu sua identidade artística e o propósito de sua nova fase. O artista conta como essa virada de perspectiva deu origem ao EP.
"Sim. Tudo começou durante uma viagem à casa da minha mãe. Em nossas conversas, que costumam atravessar a madrugada, ela compartilhou histórias da nossa família, da minha avó, da irmã dela que faleceu ainda criança e de tantas mulheres que vieram antes de nós. Aquilo despertou em mim uma conexão muito profunda com a minha ancestralidade. Naquele momento, eu buscava respostas sobre o meu futuro, mas percebi que precisava olhar primeiro para o meu passado. Entendi que a minha força estava nas minhas raízes, na história da minha família e, consequentemente, na terra onde nasci. Foi essa virada que redefiniu completamente minha carreira. Antes, eu dizia que era um artista piauiense fazendo música para o mundo. Com Mesopoty, passei a entender que sou um artista piauiense fazendo arte para a minha gente, para o Piauí e para o Nordeste. Se o mundo ouvir, será consequência. Esse projeto nasceu, antes de tudo, para quem compartilha dessa mesma origem”, conta o artista.

A sonoridade de Mesopoty transita entre o pop contemporâneo e a riqueza da música nordestina, sem se prender a rótulos. Para construir esse universo, Lutasi reuniu referências que atravessam diferentes épocas, estilos e territórios, criando uma linguagem que dialoga tanto com a tradição quanto com a cultura pop global.
“Quando comecei a produzir o EP Mesopoty com o Miel Araújo, que assina toda a produção do projeto e também foi diretor da trilha sonora do filme Ai Que Vida, eu já tinha muitas letras e melodias prontas. Antes mesmo de entrar em estúdio, montei uma playlist com todas as referências que queria levar para o disco. Tinha Luiz Gonzaga, Reginaldo Rossi, Clara Nunes, Mastruz com Leite, Calcinha Preta, mas também Beyoncé e Shakira. A ideia era justamente essa mistura. Eu não queria fazer uma arte que ficasse presa aos estereótipos. Queria unir essas referências internacionais com a cultura nordestina para criar uma releitura jovem, moderna, pop e, acima de tudo, com o meu jeito de ser”, revela.
Ao refletir sobre os momentos que moldaram sua carreira, o cantor identifica um episódio decisivo: uma conversa com a mãe. O conselho recebido naquele dia redefiniu sua visão sobre liderança artística, autenticidade e, principalmente, sobre a importância de colocar o público no centro de tudo o que faz.
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"Não há como falar da maior transformação da minha vida sem citar minha mãe, que sempre foi minha bússola. Depois de um show em que fiquei frustrado por desafinar a última nota, apesar de uma espectadora dizer que havia se emocionado com a apresentação, ela me deu um conselho que mudou minha forma de enxergar a carreira: "Esse é o mal do artista, olhar apenas para si." A partir dali, entendi que o mais importante não é a perfeição da performance, mas a conexão com quem está do outro lado. Passei a olhar menos para o meu ego e mais para o público, mudança que também refletiu no conteúdo que produzo. Continuo sendo autêntico, mas aprendi que ouvir, valorizar e criar experiências para as pessoas é o que realmente dá sentido ao meu trabalho", reflete Lutasi.
Questionado sobre o que diferencia seu trabalho de outros artistas, ele afirma que a principal marca da sua trajetória é a coragem. Para o cantor, ser autêntico exige disposição para lidar tanto com os elogios quanto com as críticas, sem abrir mão da própria essência. "A autenticidade muita gente pode ter, mas nem todo mundo tem coragem de sustentar tudo o que vem com ela. Eu continuo fazendo o que acredito, mesmo com medo de não ser aceito ou de ser criticado. Meu trabalho também não se leva tão a sério. Se alguém brincar ou fizer uma crítica, eu rio junto. Acho que essa coragem de seguir sendo quem eu sou é o que mais diferencia o meu trabalho."

A estreia da turnê Mesopoty – Onde Sonhos Nascem Entre Rios, durante o Salão do Livro do Piauí (SaLiPi), confirmou a conexão construída pelo artista com o público. Embora o álbum tenha sido lançado apenas na madrugada anterior ao show, ele conta que a resposta da plateia superou as expectativas e reforçou a confiança no novo projeto.
"Hoje, olhando para trás, vejo o quanto aquele momento foi grandioso. As pessoas foram ao show sem conhecer as músicas, porque o álbum ainda nem tinha sido lançado. Elas confiaram no meu trabalho e acreditaram que eu entregaria algo de qualidade. Foi um movimento arriscado estrear o espetáculo antes de o público ouvir o disco, mas valeu a pena. Um mês depois, vendo as músicas entrarem nas playlists e recebendo mensagens de quem se identificou com o álbum, tenho certeza de que foi a decisão certa", conta.
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Com a estreia do álbum e da turnê, Lutasi afirma que a Era Mesopoty está apenas começando. Nos próximos meses, o artista pretende ampliar a circulação do projeto com novos shows, apresentações e lançamentos audiovisuais.
"Ainda tem muita novidade pela frente. Vamos continuar levando a Era Mesopoty para mais palcos e também vem um videoclipe ou talvez mais de um. Gravei um deles antes mesmo do lançamento do EP, porque já acreditava muito em uma das músicas que o público acabou abraçando. Esse projeto está só começando”, adianta.
Ao unir música pop, referências nordestinas e uma narrativa profundamente conectada ao território piauiense, Mesopoty apresenta Lutasi como uma das novas vozes da música brasileira que transformam a própria identidade em uma linguagem capaz de dialogar com públicos de diferentes lugares.




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