Desde muito pequena, Ana Clara Lima já deixava transparecer a sua conexão com a arte. Aos dois anos, entre as atividades da escola, a dança surgiu como uma linguagem natural. Aos 10 anos, venceu o concurso Miss Mirim Abre Alas e foi coroada rainha mirim da Escola de Samba Sambão.
Hoje, aos 19 anos, Ana Clara segue com o mesmo brilho no olhar. Sambista do grupo Batuque Piauí Samba e estudante de odontologia, ela constrói sua trajetória com paixão e propósito, equilibrando a leveza da arte com a dedicação ao cuidado com o outro. Um caminho onde o samba pulsa forte e os sonhos continuam ganhando forma: no palco e na vida.
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"O despertar da dança na minha vida foi aos dois anos de idade nas atividades escolares, isso me deixava ainda mais apaixonada. Aos 10 anos fui vencedora do concurso Miss Mirim do Abre Alas em 2025 e nessa caminhada encontrei pessoas que me ajudaram, como a Narayana Santos, então rainha do Carnaval de Teresina e rainha de bateria da Escola de Samba Sambão, que me convidou para ser rainha mirim da Escola. Posteriormente, veio o concurso de Carnaval em Teresina no ano passado, não venci, mas fui convidada pelo Robert, do Piauí Samba a participar de um espetáculo junto ao grupo e desde então estou com eles em diversos projetos", conta Ana Clara em entrevista ao portal Coluna Sempre Mais.
No Piauí, o samba é um gênero marcado pela resistência, mas enfrenta desafios. A ausência de políticas públicas, o fim dos tradicionais desfiles de escolas de samba e o baixo investimento contribuíram para o enfraquecimento do ritmo no estado. Ainda assim, grupos e artistas seguem mantendo viva essa expressão cultural. A sambista Ana Clara reflete sobre esse cenário e destaca os principais fatores que têm dificultado a valorização do samba piauiense.
"Apesar de sua importância cultural, o samba no Piauí pode ser classificado como um gênero resistente, porém enfraquecido. Ele tem perdido espaço devido à falta de investimentos e à ausência de desfiles de escolas de samba, que antes movimentavam a cena cultural do estado. Sem apoio institucional, o samba hoje sobrevive principalmente por meio de iniciativas independentes, como rodas de samba e grupos locais. Ainda existe paixão e resistência, mas o gênero carece de políticas públicas que promovam sua valorização e fortalecimento", desabafa.
E completa: "O samba, apesar de ser um patrimônio brasileiro, muitas vezes é colocado em segundo plano diante de outros estilos mais comerciais ou populares no momento. Citando sobre as passistas que sobrevivem do samba,sendo mulheres em sua maioria, enfrentam machismo e sexualização. Muitas vezes, são vistas apenas pelo corpo e não pelo talento ou esforço artístico".
Ingresso Piauí Samba
A oportunidade no Batuque Piauí Samba surgiu da visibilidade de sua participação no concurso de rainha do Carnaval de Teresina, em 2024. Mas antes, Ana Clara já acompanhava o grupo e participava de projetos.

"Me honra em participar do Piauí Samba, pois é o único grupo que sem as escolas de samba continuam lutando e valorizando o samba com projetos e apresentações memoráveis. Recentemente, pude coordenar o projeto 'Piauí Samba no Pé', workshop que reuniu referências do samba para ensinar e despertar a arte do samba na vida de muitas meninas. Por esse projeto percebemos que muitas têm vontade de aprender a sambar, que não tem destaque", conta.
Mulheres no Samba
Por muito tempo, o papel da sambista esteve atrelado a padrões estéticos rígidos, com exigência de um corpo considerado “perfeito”. Hoje, esse cenário começa a mudar: mulheres têm assumido seus corpos reais, valorizando a diversidade e o bem-estar. A jovem fala sobre a mudança de comportamento e seu impacto na quebra de estereótipos para as futuras gerações.
"Essa mudança de comportamento é muito importante e eu acompanho com muita admiração. Durante muito tempo, ser sambista — especialmente passista ou rainha de bateria era associado a um padrão de corpo “perfeito”, muitas vezes inalcançável e excludente. Isso deixava de fora muitas mulheres talentosas. Essa mudança quebra padrões antigos e mostra que o samba é expressão, identidade e liberdade, não uma vitrine de corpos “idealizados”. ?Esse novo olhar não só fortalece a autoestima das mulheres de hoje, mas também abre caminhos para as futuras gerações entenderem que beleza não tem padrão e que o talento e a força de uma sambista vão muito além da aparência", pontua Ana Clara.
E para quem deseja sambar, a jovem deixa uma dica: "Ter 'samba no pé' é tanto técnica quanto sentimento. Não é só dançar,é viver o samba com o corpo e com o coração".



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