Uma fala que se embaralha, um braço que perde a força ou um sorriso que fica torto podem marcar o início de uma corrida contra o relógio. O Acidente Vascular Cerebral (AVC) exige atenção imediata, já que reconhecer os sintomas e buscar atendimento de urgência são medidas fundamentais para reduzir o risco de sequelas e mortes. Em alusão ao Dia Mundial do AVC, celebrado em 29 de outubro, uma especialista da Hapvida reforça a importância da prevenção, da identificação dos sinais de alerta e dos cuidados que podem salvar vidas.
O estado do Piauí teve 5.340 mortes registradas em 2025 por conta de doenças cardiovasculares, sendo 2.004 por AVC. Para a neurologista da Hapvida, Tiemi Thais Tomonaga, o número reforça a importância de agir rapidamente. “O diagnóstico tardio pode reduzir as possibilidades de tratamento adequado e aumentar o risco de sequelas permanentes, como alterações motoras, visuais e de equilíbrio, incapacidade funcional e até morte”, afirma.
Segundo Tiemi, os sinais mais comuns incluem perda de força ou dormência de um lado do corpo, assimetria no rosto e alterações na fala, como dificuldade para pronunciar palavras ou nomear objetos. O início repentino dessas manifestações deve motivar a busca por atendimento. Mesmo alterações discretas ou que desapareçam espontaneamente precisam ser avaliadas.
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A neurologista explica que nem todos os episódios apresentam os sinais mais conhecidos. Tontura súbita, perda de equilíbrio, alterações visuais e dificuldade para caminhar também merecem atenção. “Esses sintomas podem ser confundidos com labirintite, cansaço ou problemas musculares, atrasando o diagnóstico. O principal sinal de alerta é o início súbito de um sintoma neurológico novo, mesmo que seja discreto ou desapareça espontaneamente”, destaca.
De acordo com a especialista, estudos internacionais sugerem associação entre extremos de temperatura e aumento da ocorrência e da mortalidade por AVC, principalmente em pessoas acima de 65 anos. “Este risco é, portanto, mais relevante em pessoas com hipertensão, diabetes, arritmia cardíaca, tabagismo ou doença vascular prévia”, explica.
A prevenção, porém, deve fazer parte da rotina e começar antes da terceira idade. A neurologista aponta hipertensão, diabetes, tabagismo, sobrepeso, obesidade e sedentarismo entre os principais fatores de risco. Praticar atividades físicas, evitar cigarro e consumo de álcool e manter acompanhamento médico para identificar e tratar doenças crônicas são medidas recomendadas pela especialista, inclusive para pessoas mais jovens.
Diante de uma suspeita, a orientação é ligar imediatamente para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192, e descrever os sinais observados. O Ministério da Saúde reforça que a rapidez no diagnóstico e no tratamento aumenta as chances de recuperação. Tiemi recomenda anotar o horário em que os sintomas começaram ou, caso a pessoa acorde com alterações, registrar quando foi vista bem pela última vez. Enquanto aguarda as orientações da equipe de emergência, não se deve oferecer alimentos, líquidos ou medicamentos por conta própria.
“Na neurologia, existe uma premissa fundamental: ‘tempo é caérebro’”, ressalta a médica. No AVC isquêmico, a interrupção da circulação compromete o fornecimento de oxigênio e nutrientes ao tecido cerebral. “Quanto mais tempo o cérebro permanece sem circulação adequada, maior pode ser a área em sofrimento e maiores as chances de sequelas permanentes”, conclui.



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