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Literatura

Teresina recebe Salão das Oralidades do Piauí com programação gratuita e diversa

Evento gratuito acontece em 22 de setembro, no Teatro João Paulo II e no Colégio da Polícia Militar, com debates, performances, lançamento de antologia e slam de poesia

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 divulgação

A literatura sai das páginas e ganha o palco, a escola e a memória coletiva no Salão das Oralidades do Piauí (SOL), que acontece no próximo dia 22 de setembro. Com uma programação que mistura mesas de debate, bate-papos, intervenções em escolas e um slam de poesia, o evento propõe uma imersão na força da oralidade como expressão cultural, política e identitária.

Pela manhã, das 9h às 12h, o Teatro João Paulo II será o ponto de encontro para pensadores, poetas e pesquisadores. À tarde, das 15h às 17h, o SOL ocupa o ambiente escolar, levando a conversa para dentro das salas de aula no Colégio da Polícia Militar. O dia se encerra com o Slam SOL, no teatro, onde a poesia performática revela o vigor da língua em movimento.

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Programação completa do SOL – 22/09

Manhã – Teatro João Paulo II (9h às 12h)

9h – Bate-papo literário “Língua, poder e periferia: como produzir nas margens

Com Juh Veras. A mesa provoca uma reflexão sobre quem tem acesso à palavra escrita, quem publica e quem é lido, desnaturalizando a ideia de que há apenas uma forma correta de usar a língua.

10h – O pretoguês e a oralitura do corpo ancestral no movimento negro

Com Gardene Carvalho. A conversa valoriza as expressões linguísticas e corporais herdadas da diáspora africana, reconhecendo a língua como território de memória e resistência.

?    11h – O som e as vibrações das oralidades: a audiodescrição como recurso de acessibilidade comunicacional

Com Márcia Cristina. A palestra aborda a acessibilidade como condição essencial para que a oralidade seja democrática, garantindo que poesia e cultura cheguem a todos.

Tarde – COLÉGIO DA POLÍCIA MILITAR (15h às 17h)

?    14h – Palestra sobre as oralidades na literatura piauiense

Com Elara A. Moretz-Sohn. Um mergulho nas narrativas orais que atravessam a produção literária do Piauí, seguidas do lançamento da Antologia SOL, que reúne vozes participantes do evento.

?    14:30h – Escrevivência: o corpo e a voz na performance poética

Com Ayra Dias. A oficina explora a poesia como experiência vivida e performada, ampliando o conceito de literatura ao incluir trajetórias e corpos historicamente excluídos.

?    15:20h – Oralidade viva do slam: o que a língua diz na rua

Com Psico Afrodite. Uma imersão na poesia de rua, onde gírias, improvisos e denúncias revelam a língua em seu estado mais pulsante.
Encerramento – Teatro João Paulo II

?    18h – Apresentação de poesias de mulheres pretas

O evento se encerra com uma performance que celebra a força da palavra feminina e negra, coroando o dia com emoção, arte e resistência.

Sobre o Salão

O SOL se define como um espaço de escuta e construção coletiva. Cada mesa e palestra foi pensada para provocar encontros entre saberes que nem sempre são ouvidos, colocando em xeque a ideia de que há apenas uma forma “correta” ou “legítima” de usar a língua.

“Falar sobre língua, poder e periferia é reconhecer que a forma como falamos carrega hierarquias, exclusões e resistências”, destacam os organizadores. O evento propõe discutir “como produzir nas margens”, questionando quem tem acesso à palavra escrita, quem publica, quem é lido, e quem é apagado.
A reflexão se aprofunda ao trazer para o centro o pretoguês e a oralitura do corpo ancestral, valorizando expressões que não estão nos dicionários, mas na memória, no ritmo, na ginga e na entonação. “Valorizar essas expressões é valorizar trajetórias históricas que foram silenciadas e que seguem vivas na fala cotidiana”, afirmam.

Outro pilar do SOL é a acessibilidade comunicacional. A organização defende que pensar a acessibilidade não é um acréscimo, mas uma condição essencial para que a oralidade seja verdadeiramente democrática.

“A poesia, o debate e a cultura não podem ser privilégio de alguns, mas direito de todos”, reforça a organização.

A programação reúne um time de pensadoras, poetas e artistas, como Juh Veras, Lenny Maria, Mãe Gardene de Oxóssi, Márcia Cristina, Elara A. Moretz-Sohn, Psico Afrodite, Allícia Nascimento, Will de Oliveira, Ayra Dias e Sol. Juntos, eles trazem para o centro a força da tradição oral, da narrativa e da poesia, com destaque para a escrevivência, conceito que entende a poesia como experiência vivida, sentida e performada.

“Quando o corpo ocupa o palco, a palavra ganha outra dimensão”, explicam os organizadores, lembrando que o evento amplia o que se entende por literatura ao incluir trajetórias e corpos historicamente excluídos das narrativas oficiais.

O encerramento com o Slam SOL é apontado como um dos momentos mais aguardados. Mais do que uma exposição de poesia, a Apresentação de Poesias de Mulheres Pretas funciona como um laboratório linguístico, revelando o que a língua tem de mais pulsante: os improvisos, as denúncias, os afetos e as reinvenções cotidianas.

“A poesia falada é um termômetro da língua em movimento, que se reinventa a cada verso e diz muito sobre quem somos e como vivemos”, destacam os realizadores.

“O Salão existe porque acreditamos que a palavra merece ser pensada e celebrada, seja dentro ou fora da Academia, seja no centro ou na margem. A língua se torna um território de encontro, não de exclusão”, convidam os organizadores. “Venha ocupar esse espaço com a gente.”

O evento é gratuito e aberto ao público.

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