A produção de grãos do Piauí deve alcançar 6,82 milhões de toneladas em 2026, a maior marca já registrada na série histórica do estado. O volume representa um crescimento de 20% em relação a 2025, quando foram colhidas 5,67 milhões de toneladas. Os dados são preliminares e fazem parte do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O número ainda pode crescer, já que uma pequena área de produção permanece em fase de colheita. Mesmo com o levantamento ainda sujeito a atualizações, o resultado de 2026 já supera o antigo recorde estadual, registrado em 2023, com 6,44 milhões de toneladas.
Após dois anos consecutivos de retração, a produção de grãos voltou a avançar de forma expressiva no Piauí. O volume estimado para 2026 é mais de cinco vezes superior ao registrado em 2016, quando o estado produziu 1,33 milhão de toneladas, em um ano marcado por quebra de safra provocada por condições climáticas adversas.
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Área colhida cresce 8,3%
Para alcançar o novo recorde, os produtores piauienses colheram, em 2026, uma área estimada em 1,85 milhão de hectares, crescimento de 8,3% em relação ao ano anterior. Soja e milho concentram a maior parte dessa área, ocupando, juntas, 83,7% das terras destinadas à produção de grãos no estado.
A dimensão da área chama atenção: o espaço utilizado para o cultivo de grãos no Piauí se aproxima da área total do estado de Sergipe, que possui cerca de 2,2 milhões de hectares.
De acordo com Pedro Andrade, chefe da Seção de Pesquisas Agropecuárias (SPA) da Superintendência Estadual do IBGE no Piauí, o desempenho da safra foi favorecido pela regularidade das condições climáticas ao longo do ciclo agrícola.
“Também verificamos um aumento expressivo da produtividade das culturas, que permitiram alcançar melhores resultados na colheita, sem ampliação considerável da área plantada”, destacou.
Soja e milho concentram mais de 92% da produção
A soja e o milho respondem, juntos, por mais de 92% de toda a produção de grãos do Piauí em 2026. As duas culturas são cultivadas principalmente por grandes empreendimentos do agronegócio concentrados na região do Cerrado, no sul do estado.
A soja deve alcançar 4,19 milhões de toneladas, enquanto a produção de milho está estimada em 2,1 milhões de toneladas.
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Entre as demais culturas acompanhadas pelo LSPA estão:
- Algodão herbáceo: 140,8 mil toneladas
- Arroz: 89,1 mil toneladas
- Feijão: 48,7 mil toneladas
- Sorgo: 243,8 mil toneladas
- Fava: 592 toneladas
Produção cresce na maioria das culturas
Na comparação com 2025, houve aumento na produção de praticamente todas as culturas acompanhadas pelo LSPA no Piauí. A exceção foi o sorgo em grãos, que apresentou uma redução de 3%.
Os maiores avanços foram registrados pela fava, com alta de 40,95%, e pelo arroz, que cresceu 40,89%. Entre as principais culturas do estado, a produção de soja avançou 17%, enquanto a de milho aumentou 28% no período.
O desempenho reforça a relevância do agronegócio para a economia piauiense e consolida 2026 como um ano de recuperação e expansão da produção de grãos no estado.
Produção de grãos será recorde, mesmo com redução na área plantada
O recorde na produção de grãos em 2026 ocorre mesmo com uma área colhida menor do que a registrada em anos anteriores. Em 2023 e 2024, o Piauí colheu, respectivamente, 1,89 milhão e 1,86 milhão de hectares, mas alcançou resultados inferiores aos deste ano. Em 2026, a área colhida será de 1,83 milhão de hectares, enquanto o aumento da produtividade, com maior volume de toneladas produzido por hectare, foi determinante para o novo recorde. Nos últimos dez anos, a produção de grãos cresceu mais de 500%, enquanto a área colhida avançou 46%, evidenciando que o aumento da produção ocorreu principalmente pela evolução da produtividade.
“Esse resultado mostra que não há a necessidade de desmatamento para que ocorra o crescimento da produção agrícola, bastam os investimentos corretos em tecnologia e manejo adequado para que isso se reflita no aumento da produtividade, o que é uma boa notícia para quem se preocupa com a questão ambiental”, declarou Pedro Andrade.
Nos últimos anos reduz a produção dos principais grãos destinados à alimentação da população
O feijão e o arroz, presentes no cotidiano alimentar dos brasileiros, vêm registrando redução na produção do Piauí nos últimos anos. Embora as duas culturas tenham apresentado crescimento entre 2025 e 2026, os volumes previstos para este ano permanecem bem abaixo dos recordes históricos, cenário que pode impactar os custos da alimentação. Segundo o LSPA, a maior produção de feijão no estado ocorreu em 2018, com quase 94 mil toneladas, enquanto a previsão para 2026 é de 48,7 mil toneladas, cerca de metade do volume registrado naquele ano. No caso do arroz, a diferença é ainda maior: o recorde foi alcançado em 2011, com 271,6 mil toneladas, enquanto a estimativa para 2026 é de 89,1 mil toneladas, aproximadamente 70% abaixo da maior safra registrada.
Safra de grãos prevista para o Brasil em 2026 é de 353 milhões de toneladas
A estimativa de julho de 2026 do IBGE aponta uma produção brasileira de 353 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, alta de 2% em relação às 346,1 milhões de toneladas colhidas em 2025, enquanto a área a ser colhida deve alcançar 83,1 milhões de hectares, crescimento de 1,8%. Soja, milho e arroz concentram 92,9% da produção estimada, com 174,9 milhões, 141,8 milhões e 11,2 milhões de toneladas, respectivamente. Na distribuição por estados, Mato Grosso lidera com 32,1% da produção nacional, seguido por Paraná (13,3%), Rio Grande do Sul (10,5%), Goiás (9,6%), Mato Grosso do Sul (8,5%) e Minas Gerais (5,5%), que juntos respondem por 79,5% da safra brasileira. No Nordeste, destacam-se Bahia, Maranhão e Piauí, estados que integram a região do MATOPIBA e estão entre os 14 maiores produtores de grãos do país em 2026.
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