Os procedimentos com preenchedores faciais nunca estiveram tão em alta. Impulsionados pelas redes sociais e pela busca por rejuvenescimento rápido, tratamentos minimamente invasivos passaram a fazer parte da rotina estética de milhares de brasileiros. No entanto, junto com a popularização, cresce também o alerta sobre os riscos quando essas intervenções são realizadas sem avaliação adequada ou por profissionais sem formação médica.
De acordo com dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), o Brasil está entre os países que mais realizam procedimentos estéticos no mundo, incluindo técnicas não cirúrgicas como os preenchimentos faciais, cenário que reforça a necessidade de informação e segurança para os pacientes.
A médica dermatologista Lorena Araújo Luz, professora da pós-graduação da Afya Educação Médica e atuante nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica, explica que, apesar de serem considerados minimamente invasivos, os preenchedores exigem profundo conhecimento técnico.
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"Para realização desses procedimentos é necessário domínio da anatomia facial, entendimento da pele, do envelhecimento, da estrutura óssea, dos compartimentos de gordura, musculatura e da vascularização da face. Mesmo com conhecimento, o risco de complicações existe", afirma.
Segundo a especialista, a consulta médica é etapa fundamental porque permite avaliar o histórico de saúde e traçar um plano terapêutico individualizado que, muitas vezes, pode ser diferente do que o próprio paciente imaginava inicialmente.
"Quando os procedimentos são realizados sem capacitação adequada ou sem consulta prévia, há maior chance de complicações e dificuldade no manejo. Em casos de infecção, por exemplo, pode ser necessária investigação com exames e prescrição de medicamentos específicos", explica.
Sinais de alerta após o procedimento
Embora efeitos leves como inchaço e pequenos hematomas sejam esperados, alguns sintomas exigem atenção imediata. A dermatologista destaca que dor intensa e progressiva, alteração na cor da pele, especialmente palidez, tonalidade arroxeada ou acinzentada e alterações visuais, como visão turva ou dor ocular, são sinais de alerta importantes.
Outros sintomas preocupantes incluem calor local, secreção, febre e reações alérgicas, como coceira intensa, inchaço nos lábios ou dificuldade para respirar.
"Caso surja qualquer um desses sinais, o paciente deve procurar atendimento médico imediatamente", orienta.
Antes de realizar um preenchimento facial, a principal medida de segurança é passar por avaliação dermatológica completa. Durante a consulta, são analisados fatores como expectativas do paciente, hábitos de vida, doenças prévias, alergias e histórico de procedimentos estéticos.
"O exame físico é crucial para definir se o preenchimento é realmente indicado, qual produto utilizar, a quantidade necessária e a técnica mais segura. Só depois desse planejamento o procedimento deve ser realizado, sempre respeitando a anatomia e as normas de biossegurança", destaca Lorena Luz.



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