Quando a bateria começa a tocar, não há como desviar o olhar. No compasso do samba, Ana Clara Lima transforma o ambiente em extensão do próprio corpo: passos firmes, sorriso luminoso e uma presença que equilibra força e delicadeza. Aos 20 anos, a jovem desfila carisma, charme e um samba no pé que parecem nascer junto com ela.
No último dia 10 de janeiro, foi eleita e coroada rainha de bateria da Escola de Samba Brasa Samba e rainha do Carnaval de Teresina, consagrando uma trajetória construída com muito mais do que brilho. Por trás da fantasia e dos aplausos, há história, disciplina, suor e uma relação profunda com a arte que começou ainda na infância.
Hoje, coroada, Ana Clara representa uma geração que mantém viva a tradição do carnaval piauiense com frescor, identidade e emoção. Com sorriso aberto e olhar determinado, ela prova que o samba não se aprende apenas, se sente. E quando pisa nos espaços, o carnaval entende: ali não desfila apenas uma rainha, mas uma história inteira em movimento.
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O Portal Coluna Sempre Mais, com exclusividade, conversou com a jovem coroada, que contou como recebeu o convite para assumir o posto à frente da bateria da Brasa Samba.
“Receber esse convite foi uma mistura de emoção, gratidão e responsabilidade. A Brasa Samba é um grupo que carrega muita verdade, força e identidade. Ser lembrada e escolhida foi a confirmação de que todo o caminho trilhado até aqui fez sentido. Foi um ‘sim’ vindo do coração”, disse emocionada.
Ao falar sobre o momento da coroação, Ana Clara revela a intensidade da experiência. “Foi indescritível. Passou um filme da minha trajetória, da dedicação ao samba e das pessoas que caminharam e caminham comigo. Senti gratidão, emoção e a certeza de que aquele momento não era só meu, mas de todos que acreditaram em mim".

Bateria da Brasa Samba / imagem: TV Garrinha - reprodução
Apesar da juventude, Ana Clara compreende o peso simbólico de ocupar um posto tão representativo em uma escola com quase 60 anos de história. Para ela, o título de rainha vai muito além da estética: envolve responsabilidade, compromisso com a escola e um amor genuíno pelo carnaval, valores que se refletem em cada passo que dá na avenida.
“Ser rainha representa reconhecimento, mas também compromisso. Na minha vida pessoal, é a realização de um sonho construído com muito esforço. Profissionalmente, é um marco que amplia responsabilidades, visibilidade e a chance de inspirar outras mulheres a acreditarem nos seus sonhos”, destaca.
Consciente do papel que ocupa e da simbologia de estar à frente da bateria, Ana Clara reforça que ser rainha exige muito mais do que dança e fantasia. “Humildade, postura, carisma, presença e conexão com a bateria e com o público são tão importantes quanto o samba no pé”, afirma.
A jovem também revela os cuidados necessários para manter a saúde e o bem-estar durante o intenso período carnavalesco. “A preparação vai muito além dos ensaios. Existe disciplina, cuidado com o corpo, com a mente e, principalmente, com a essência. Me preparo fisicamente, claro, mas também espiritualmente e emocionalmente”, conta.

Ana Clara e sua mãe / imagem: arquivo pessoal
Ao falar sobre suas inspirações no samba, a jovem começa por quem lhe apresentou esse universo: a própria mãe. “Minha mãe foi minha maior incentivadora. Sempre apaixonada pelo carnaval, ela chegou a desfilar três anos consecutivos pela Beija-Flor de Nilópolis, no Rio de Janeiro. A paixão pelo samba vem de berço, e eu devo tudo o que aprendi a ela”, relembra.
Ana Clara também cita grandes rainhas que a inspiram: Mayara Lima (Paraíso do Tuiuti), Evelyn Bastos (Mangueira), Bianca Monteiro (Portela) e Andressa Marinho (Unidos de Padre Miguel). “Cada uma delas, de alguma forma, me ensinou que o samba é ancestralidade e missão”, completa.

Entre sonhos, fantasias e conquistas, Ana Clara já olha para o futuro dentro e fora dos passos no samba. “No carnaval, meu maior sonho é crescer junto com a Brasa Samba, viver desfiles marcantes e honrar essa história com muito respeito e dedicação. Fora da rotina carnavalesca, sigo firme nos estudos em Odontologia, um sonho que construo com a mesma disciplina e amor. Conciliar o samba com a formação acadêmica me lembra todos os dias que é possível ser muitas coisas ao mesmo tempo e realizar sonhos em diferentes caminhos”, finaliza.



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