O Data Favela apresenta a pesquisa Raio-X da Vida Real, realizada com 5 mil entrevistas presenciais (sendo quase 4 mil válidas) em favelas de 23 estados, por meio de um questionário de 84 perguntas, com margem de erro de 1,56 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Trata-se do maior levantamento já conduzido com pessoas em situação de crime (tráfico) em atividade, trazendo dados sobre perfil, renda, trajetória, saúde, profissão, sonho, família, saúde, e consumo e expectativas. A pesquisa foi realizada entre 15 de agosto de 2025 e 20 de setembro de 2025.
O relatório na íntegra você encontra AQUI.
Perfil e condições de vida
A pesquisa mostra que, em todo o ecossistema, 79% dos entrevistados são homens e 21% mulheres; e menos de 1% se declarou LGBTQIAPN+. A mãe é a figura mais importante para 43% dos respondentes; filho (as) representam 22%, e referências femininas (mães, avós, tias, companheiras) somam 51% dos vínculos afetivos mais citados. Além disso, 84% afirmam que não deixariam um filho entrar para o crime.
Renda, trabalho e permanência
Os dados indicam que 63% ganham até dois salários-mínimos na atividade criminal. Para 18%, não sobra dinheiro no fim do mês. A pesquisa aponta ainda que 36% exercem um segundo trabalho remunerado legal, e 56% já passaram por encarceramento pelo menos uma vez.
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Motivações de entrada e saída
Segundo o levantamento, o principal motivo de entrada no crime é a falta de dinheiro ou necessidade econômica. O estudo identifica também que 58% deixariam o crime caso tivessem oportunidade — especialmente no campo financeiro e de trabalho.
Gênero, desigualdades e vulnerabilidades
As mulheres são mais frequentes em funções auxiliares dentro da estrutura do crime. Entre elas, 13% relatam ter entrado para a atividade por motivos relacionados à violência doméstica, alcoolismo ou drogas no ambiente familiar. No recorte de renda, 37% das pessoas LGBTQIAPN+ ganham até um salário-mínimo, assim como 35% das mulheres.
Educação e saúde
A baixa escolaridade é predominante entre os participantes, e muitos afirmam que teriam estudado mais ou concluído os estudos caso pudessem voltar atrás. O estudo também registra índices elevados de insônia, ansiedade e depressão entre os entrevistados.
Consumo, finanças e sonhos
Os dados revelam preferência por guardar dinheiro fora de bancos. A casa própria aparece como o principal sonho de consumo — seja para si ou para a família. A pesquisa também mostra que, em várias categorias, poucas marcas concentram a maior parte das preferências dos entrevistados. O lazer coletivo é predominante.
Expectativas de futuro
A percepção sobre o próprio futuro é majoritariamente otimista:
- 63% avaliam positivamente seu futuro pessoal;
- 60% têm visão favorável ou muito favorável sobre o futuro da favela;
- 68% afirmam que não sentem orgulho do que fazem.



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