A Comunidade Quilombola Mimbó, localizada no município de Amarante, no Sul do Piauí, é considerada o mais antigo quilombo do estado. Com mais de 200 anos de existência, o povoado é formado majoritariamente por descendentes de uma mesma família: cerca de 96% dos moradores carregam o sobrenome Paixão.
Segundo relatos dos próprios quilombolas, a comunidade foi fundada por dois casais escravizados que fugiram de Pernambuco em busca de liberdade. Durante anos, viveram escondidos em cavernas próximas ao riacho Mimbó, até conseguirem estabelecer um território de paz. Hoje, o quilombo abriga aproximadamente 176 famílias — cerca de 600 pessoas — que preservam tradições afro-brasileiras na agricultura familiar, na culinária típica e no artesanato.
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Turismo de base comunitária fortalece identidade e ancestralidade
O turismo de base comunitária tem se consolidado como um dos caminhos de valorização e preservação da história do Quilombo Mimbó. A crescente visibilidade conquistada nos últimos anos reforça o potencial do território como destino de turismo cultural e ancestral, destacando o Mimbó como referência em identidade, memória e resistência da cultura afro-brasileira.
Nesse contexto, foi produzido o documentário “Quilombo Mimbó”, assinado pelo fotojornalista Raulino Neto. Com 14 minutos de duração, a obra retrata, por meio de entrevistas e imagens, a vida, os costumes e a força cultural da comunidade.

imagem: Wesley Gomes
Artesanato e agricultura familiar impulsionam protagonismo local
O artesanato do Mimbó vem ganhando destaque por meio do projeto Mimbó Artesanato, realizado por mulheres que transformam retalhos de tecido em peças utilitárias e decorativas — jogos de mesa, panos de prato, aventais, ecobags e nécessaires, todas inspiradas nos elementos culturais da comunidade.
Com apoio técnico e criativo da designer Kalina Rameiro, a iniciativa fortalece o empreendedorismo feminino, gera renda e reafirma o Mimbó como símbolo vivo de resistência, identidade e valorização da cultura negra no Piauí.

imagem: Wesley Gomes
Além do artesanato e da economia criativa, a comunidade também se beneficia de ações voltadas à agricultura familiar, que garantem escoamento da produção, ampliam a renda e promovem o desenvolvimento sustentável do território. Tais iniciativas contribuem para melhorar a qualidade de vida das famílias quilombolas e reforçam a autonomia produtiva local.



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