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Setembro Amarelo

Especialista defende diálogo aberto e acolhimento como ferramentas de prevenção

A psicanálise pode ser um caminho importante de prevenção, ao oferecer um espaço seguro para que a pessoa fale de suas dores e conflitos internos

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 imagem: divulgação

Com 12 milhões de brasileiros vivendo com depressão e 18 milhões com ansiedade, o Brasil enfrenta um desafio de saúde mental urgente. No contexto do Setembro Amarelo, que busca a prevenção do suicídio, dados recentes do Ministério da Saúde e da OMS mostram que o país registra cerca de 12 mil suicídios por ano, afetando principalmente jovens e idosos.

Para o psicanalista Fábio Araujo, especialista em psicotraumatologia, esses dados revelam a urgência de falar sobre o tema: “O Setembro Amarelo nos lembra que a vida é preciosa. Muitas vezes, a dor é silenciosa, mas é possível encontrar o acolhimento e caminhos para lidar com ela. Fala sobre o sofrimento não é fraqueza, é coragem”, afirma.

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Reconhecer que alguém precisa de ajuda é o primeiro passo. Alguns comportamentos podem indicar que a pessoa está em sofrimento, como isolamento social, falas recorrentes sobre desesperança ou desejo de morrer, mudanças bruscas de humor ou atitudes de despedida. Para o especialista, frases como “isso é frescura” ou “pense positivo” apenas aumentam o peso da dor. O que realmente ajuda é ouvir sem julgamentos, mostrando presença e incentivando a busca por ajuda profissional. "A escuta empática é um ato de cuidado. Às vezes, o que a pessoa mais precisa é saber que alguém está disposto a ouvi-la sem pressa e sem críticas", explica Fábio.

Psicanalista Fábio Araujo / imagem: divulgação

Nesse processo, a psicanálise pode ser um caminho importante de prevenção, ao oferecer um espaço seguro para que a pessoa fale de suas dores e conflitos internos. “Esse processo ajuda a compreender o significado do sofrimento, fortalece emocionalmente e dá recursos para enfrentar momentos de crise”, afirma o psicanalista.

Apesar dos avanços, o tabu em torno do suicídio ainda faz com que muitos sofram calados. Para Fábio Araujo, abrir o diálogo é um ato de amor. "Quando falamos sobre nossas dores, mostramos ao outro que ele também não precisa carregar esse peso sozinho. Cada vida é única e preciosa. Pedir ajuda é um passo de coragem", reforça.

Onde buscar ajuda

Em caso de necessidade, é possível contar com apoio imediato. O Centro de Valorização da Vida (CVV) atende gratuitamente pelo telefone 188, em qualquer horário do dia ou da noite, com escuta sigilosa e acolhedora. Em situações de emergência médica, o caminho é acionar o SAMU, pelo número 192. Além disso, é fundamental procurar acompanhamento profissional com psicanalistas, psicólogos, psiquiatras ou os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) disponíveis em cada região.

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