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Memória viva

Cadernos de Teresina retornam em versão digital e preservam memória cultural

Os Cadernos de Teresina foram muito mais que uma revista: foram espaço de encontro entre acadêmicos, escritores, poetas, contistas, artistas visuais e fotógrafos

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 imagem: divulgação

O ano era 1986. Outros tempos. Viajar pela cultura é também folhear os Cadernos de Teresina – a revista periódica que, a cada quatro meses, reunia nas páginas impressas a produção, as vozes e os olhares de quem fazia e amava a cultura local. E ainda ama, porque muitos daqueles personagens continuam hoje empenhados em manter viva a memória cultural do município.

Um deles é Jairo Cezar Sherlock, servidor da Fundação Monsenhor Chaves desde a sua criação, em 1986. Ele acompanhou de perto o nascimento da revista.

“Tive o prazer de participar do projeto Cadernos de Teresina. Nos anos 90, os meios de divulgação cultural eram poucos, quase restritos aos jornais. O prefeito da época, Wall Ferraz, implementou alguns projetos, entre eles a revista. Como havia dificuldades técnicas, gráficas e de impressão, optou-se por lançá-la de quatro em quatro meses. Assim, ao longo de 31 anos, surgiram 42 edições, que chegaram a bibliotecas e foram citadas em pesquisas acadêmicas. Foi um projeto pungente, aceito por muita gente, e hoje é emocionante reencontrar essas revistas espalhadas por acervos e memórias", explica Jairo.

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Mas afinal, por que revisitar esse tempo?

Porque viajar é também resgatar. É tocar as origens, trazer à tona o que guarda a memória, ou aquilo que o esquecimento ameaça apagar. É mergulhar nos arquivos que registraram histórias, ideias e sentimentos, quando cada lembrança ainda era gravada em papel, em imagens e em palavras que permanecem.

Os Cadernos de Teresina foram muito mais que uma revista: foram espaço de encontro entre acadêmicos, escritores, poetas, contistas, artistas visuais e fotógrafos. Suas páginas reuniram ensaios, reportagens, depoimentos de personalidades já falecidas e registros de quem ajudou a construir a identidade cultural da cidade. São arquivos vivos. Memórias que ainda respiram nas páginas, nos cadernos, nas histórias de quem os fez e de quem os lê.

Em 1986, circulava o número 1. Em 2017 a edição de número 42 encerrava um ciclo. Era o fim, até então. Porque a memória não desaparece, apenas se recolhe à espera de ser revisitada.

Agora, um novo projeto nasce: a Fundação Monsenhor Chaves vai digitalizar todo o acervo dos Cadernos de Teresina, ao longo deste ano, tornando-o disponível online. Será um gesto de preservação, mas também de renascimento.

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