O espaço Mais uma Página desta semana apresenta a leitura crítica da colunista Arysa Cabral, que avalia obras literárias com notas de 1 a 5 estrelas — sendo 1 a menor e 5 a maior pontuação. Nesta edição, Arysa mergulha no universo sensível e encantador de "Luna Clara e Apolo Onze", da escritora Adriana Falcão.
Adriana Falcão | Editora Salamandra | 2013 | 328 p.
Sinopse: Desencontros levam os pais de Luna Clara - Doravante e Aventura - a se perder e a se encontrar. O avô da menina, Erudito, perde as histórias que havia colecionado e também o papagaio. As tias perdem os namorados. Em um constante ir e vir, na região de Desatino do Norte, as vidas de Luna Clara e Apolo Onze acabam se cruzando.
“Depois pensaram melhor e se conformaram.
E se foi assim que aconteceu, é porque era assim que deveria ter acontecido, ora bolas.
O que faz cada história de amor são justamente seus acasos, seus contratempos, soltos acontecimentos, suas esperanças, seus ventos, seu tempo.” (p. 251, cap. A velha de rosa).
Existem livros que nos encontram no momento certo. Luna Clara e Apolo Onze, de Adriana Falcão, foi exatamente isso pra mim. A primeira leitura me tocou profundamente, daquelas histórias que a gente guarda como abrigo. Durante a pandemia, eu e meus irmãos criamos um clube de leitura virtual (para não enlouquecermos juntos), e escolhemos esse título.
>>> Siga o canal do portal Coluna Sempre Mais no WhatsApp
A trama apresenta dois personagens principais vivendo em cidades com nomes já carregados de significado: Luna Clara, uma menina sonhadora, de cabeça “aluada”, que vive em Desatino do Norte esperando, todos os dias, o retorno do pai, Doravante. Ao cair da noite, é para a lua que ela confia seus segredos e inquietações.
Do outro lado, em Desatino do Sul, nasce Apolo Onze — sim, como a primeira nave a chegar à Lua. Na sua cidade, cada novo Apolo era celebrado com festa. Ele cresce curioso, encantado pela lua e seus mistérios, quase como se sua alma já soubesse da existência de alguém à sua espera.
Os nomes, os lugares, os tempos: nada é por acaso nesse livro. Aventura, Madrugada, Seu Erudito, Doravante... cada personagem carrega, no próprio nome, sua função no enredo e no mundo.
“Eram três irmãs tão diferentes que atraíam a atenção de quase todos os tipos de rapazes.
Odisséia da Paixão, sofria, chorava, se lamentava, se preocupava e se descabelava por qualquer banalidade... Imaginava que havia uma tragédia esperando por ela em cada esquina.
Divina Comédia da Paixão foi o único bebê que riu, em vez de chorar, quando nasceu.
Aventura da Paixão gostava de corações (de preferência com flecha atravessada), de proezas, de heróis e cavaleiros, de poemas, almofadas peludas, canções de amor e de gatos.” (p. 34, cap. Mais de 13 anos antes).
Adriana Falcão escreve com poesia, leveza e uma dose certeira de humor. A história mistura fantasia e emoção, encontros e desencontros, família e destino.
É difícil terminar a leitura e não sentir saudade. É uma obra que atravessa gerações e que nos lembra da beleza que existe nas esperas, nas buscas e nas palavras.
Sobre autora:
Adriana Falcão é escritora, roteirista e cronista, conhecida por transformar o cotidiano em poesia e leveza. Nascida no Rio de Janeiro e criada em Recife, formou-se em arquitetura, mas foi nas palavras que encontrou sua verdadeira vocação. Seu nome está por trás de obras marcantes da literatura infantojuvenil, como Luna Clara e Apolo Onze, Mania de Explicação e A Máquina, além de roteiros de filmes e séries como O Auto da Compadecida e A Grande Família.
Com uma escrita sensível, irônica e criativa, Adriana consegue falar de temas profundos com simplicidade e beleza. Suas histórias são carregadas de personagens singulares, jogos de linguagem e sentimentos que acolhem o leitor. Ler Adriana Falcão é entrar num mundo onde a fantasia encontra a realidade com delicadeza e sentido, mesmo quando tudo parece desatino.
'Mais uma Página'
Semanalmente, o 'Mais uma Página', apresenta indicações de novos livros, recordar clássicos, descobrir tendências, revirar curiosidades literárias e muito mais.
Conteúdo assinado por Arysa Cabral
Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Cariri (UFCA). Mestra em Biblioteconomia pelo Programa de Pós-graduação em Biblioteconomia - Mestrado Profissional (PPGB/UFCA). Pós-graduanda em História, Cultura e Literatura Afro-Brasileira e Indígena pela UniCesumar. Atualmente é professora do Curso de Biblioteconomia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual do Piauí (CCSA/UESPI). Pesquisadora de temas como: biblioterapia, literatura, leitura e formação de leitores.
.jpeg)



Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar