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O preço de informar: violência digital desafia jornalistas e a liberdade de imprensa

Dados da FENAJ e o caso da jornalista Ângela Bispo, evidenciam os desafios para proteger profissionais da comunicação diante de ataques virtuais, racismo e tentativas de silenciamento

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 reprodução Instagram

A violência contra jornalistas se manifesta de diferentes formas nas redes sociais, incluindo ameaças, intimidações, discursos de ódio e tentativas de descredibilizar o trabalho da imprensa. Quando direcionados às mulheres, esses ataques também podem assumir um caráter misógino e racista, com ofensas à aparência, à vida pessoal e à capacidade profissional. O cenário reforça os desafios enfrentados por quem trabalha com informação e evidencia como a violência digital pode atingir tanto a atuação profissional quanto a participação desses comunicadores no debate público.

Segundo o relatório Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil – 2024, da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), o país registrou 144 episódios de violência contra profissionais da imprensa em 2024, uma redução de 20,44% em relação aos 181 casos contabilizados no ano anterior. Apesar da queda, a entidade alerta para a permanência de diferentes formas de agressão, entre elas ataques físicos, ameaças, censura, assédio judicial e violência digital.

A FENAJ chama atenção para o uso do machismo e da misoginia como instrumentos de desqualificação e silenciamento de mulheres jornalistas. Essa realidade evidencia que os ataques não atingem apenas indivíduos: também colocam em discussão o direito de mulheres, especialmente negras, de exercer a profissão com respeito, segurança e igualdade.

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Caso de Ângela Bispo

A apresentadora Ângela Bispo, do Bom Dia Piauí, telejornal da TV Clube, afiliada da Globo no estado, foi alvo de um comentário racista em uma publicação no Instagram na quinta-feira (15). Com 26 anos de atuação no jornalismo, a profissional recebeu manifestações de solidariedade de colegas de diferentes veículos de comunicação do Piauí.

O episódio evidencia como a violência digital pode atingir jornalistas independentemente da experiência e da trajetória profissional. À frente de um telejornal, Ângela ocupa um espaço de visibilidade pública e de referência para quem acompanha seu trabalho. Nesse contexto, o ataque racista não representa apenas uma ofensa individual, mas também uma tentativa de desqualificação que desconsidera sua competência e sua contribuição para a comunicação piauiense.

Durante uma manifestação de apoio realizada por colegas da Rede Clube, a apresentadora destacou que o impacto do episódio ultrapassa a esfera pessoal. Segundo ela, a preocupação também envolve a representatividade e a possibilidade de que pessoas que se identificam com sua trajetória sejam afetadas por situações semelhantes.

Ângela relatou que, por muito tempo, deixou passar comentários dessa natureza, mas que o incentivo dos filhos e a percepção sobre a influência de sua trajetória a fizeram refletir sobre a importância de não silenciar diante do racismo. Ela também ressaltou o orgulho demonstrado pela família e agradeceu o acolhimento recebido dos colegas e da emissora.

Sindjor-PI repudia ataque racista

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Piauí (Sindjor-PI) divulgou uma nota de repúdio ao comentário ofensivo publicado nas redes sociais da TV Clube contra Ângela Bispo. A entidade destacou a trajetória da apresentadora, formada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), com passagem pela TV Antares e integrante da TV Clube desde 2021.

Na manifestação, o sindicato ressaltou que o racismo também atinge profissionais que construíram carreiras pautadas pela ética e pela responsabilidade com a informação. A entidade reforçou que a liberdade de expressão não justifica manifestações racistas e diferenciou a crítica fundamentada ao trabalho jornalístico de ataques que humilham ou discriminam profissionais pela cor da pele.

Confira à integra da nota aqui

Injúria racial e responsabilização

Em entrevista à TV Clube, Emanuelly Ferreira, vice-presidente da Comissão da Verdade da Escravidão Negra da OAB-PI, explicou que a injúria racial foi equiparada ao crime de racismo em 2023, tornando-se inafiançável e imprescritível. A advogada destacou que o Ministério Público pode buscar a responsabilização criminal ao tomar conhecimento do caso, independentemente de denúncia formal da vítima, reforçando que manifestações racistas nas redes sociais podem resultar em consequências legais.

Combater a violência é defender o jornalismo

Os ataques contra jornalistas, sejam eles físicos, verbais ou digitais, representam um desafio para o exercício da liberdade de imprensa. Quando incluem racismo e misoginia, também evidenciam desigualdades que afetam a participação de mulheres e pessoas negras nos espaços de comunicação.

O enfrentamento desse cenário exige responsabilização, canais de denúncia, apoio às vítimas e iniciativas permanentes de prevenção. Também passa pelo reconhecimento de que a crítica ao trabalho jornalístico faz parte do debate democrático, mas não pode servir de justificativa para ameaças, discriminação ou tentativas de silenciamento.

Por: Especial portal Coluna Sempre Mais

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