A busca por mais energia na academia ganhou espaço nas redes sociais. Entre vídeos de rotinas de treino, dicas de suplementação e relatos de superação, os pré-treinos e as bebidas energéticas aparecem como aliados de quem quer melhorar o desempenho físico. A promessa de disposição imediata, no entanto, exige atenção quando o consumo se torna frequente e passa a fazer parte da rotina.
A influenciadora Ingrid Magalhães relata que consome energéticos e outros estimulantes na maior parte dos dias em que treina. Segundo ela, a expectativa de ter mais disposição já começa antes mesmo de ingerir os produtos.
“Eu consumo energéticos e estimulantes com uma frequência bem alta, na maior parte dos dias, porque sinto que me dão mais disposição. É como se, antes mesmo de tomar, eu já esperasse que aquilo fosse me dar a energia de que preciso”, conta.
>>> Siga o canal do portal Coluna Sempre Mais no WhatsApp
Ingrid afirma que não costuma perceber sintomas intensos, embora alguns suplementos pré-treino provoquem formigamento e sensação de pequenas picadas na pele. Ao passar um fim de semana sem consumir os produtos, ela também notou uma diferença no rendimento durante os exercícios.
“Eu percebi que, quando não tomei, senti uma grande diferença no estímulo e no esforço que precisei fazer. Cansava muito mais rápido”, relata.
O depoimento chama a atenção para um aspecto importante do uso de estimulantes: a percepção de mais energia não elimina os possíveis riscos associados ao consumo frequente. De acordo com a nutricionista Talita Bittencourt, da Hapvida, é necessário diferenciar os efeitos da cafeína das características das bebidas energéticas.
“A cafeína possui evidências científicas de efeito ergogênico, ou seja, pode melhorar alguns aspectos do desempenho físico quando consumida em doses adequadas. Isso não significa, porém, que a bebida energética seja necessariamente a melhor ou a mais segura maneira de consumir essa substância antes do treino”, explica a nutricionista.
As bebidas energéticas podem combinar cafeína, açúcar e outros ingredientes estimulantes. O consumo associado a suplementos pré-treino, café e outras fontes de cafeína também pode elevar a ingestão diária sem que a pessoa perceba.
.jpeg)
Nutricionista Talita Bittencourt
Atenção aos sinais do corpo
Durante o exercício físico, o organismo já passa por alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial. A ingestão de bebidas energéticas cafeinadas pode potencializar algumas dessas respostas, com aumento da pressão arterial sistólica e pequenas alterações na frequência cardíaca.
“É importante considerar não apenas a quantidade de cafeína presente em um produto, mas também o consumo de outras fontes de estimulantes ao longo do dia. A combinação de café, energético, pré-treino e outros produtos pode resultar em uma ingestão muito maior do que a pessoa imagina”, alerta Talita.
Entre os possíveis efeitos do consumo de energéticos estão palpitações, tremores, ansiedade, agitação, desconforto gastrointestinal, insônia e aumento da pressão arterial. Pessoas com hipertensão, doenças cardiovasculares, histórico de arritmias, sensibilidade à cafeína, ansiedade ou insônia precisam de atenção especial.
O formigamento relatado por Ingrid também merece ser observado. Dependendo da composição do suplemento, a sensação pode estar relacionada à beta-alanina, ingrediente presente em algumas fórmulas de pré-treino. Embora esse efeito seja conhecido, é importante verificar a composição do produto e buscar orientação profissional diante de reações incomuns ou persistentes.
Outro ponto de atenção é a relação entre o consumo e a disposição para treinar. Sentir mais cansaço em um dia sem estimulantes não significa, por si só, que exista dependência. No entanto, quando a pessoa passa a acreditar que não consegue se exercitar sem esses produtos, vale observar a qualidade do sono, a alimentação, a recuperação muscular e a frequência de uso.
A nutricionista reforça que a escolha de utilizar energéticos ou suplementos pré-treino deve considerar as características individuais e a quantidade total de estimulantes ingerida. “A cafeína pode contribuir para o desempenho físico, mas o uso de estimulantes precisa ser avaliado com cuidado. É fundamental conhecer a composição dos produtos, respeitar as quantidades recomendadas e considerar as condições de saúde de cada pessoa”, orienta.
Mais disposição pode parecer um atalho para melhorar o rendimento, mas o desempenho físico depende de um conjunto de fatores, como descanso, alimentação adequada, hidratação e regularidade dos treinos. Antes de transformar o estímulo em uma condição indispensável para se exercitar, é importante entender o que o corpo precisa e buscar orientação profissional.



Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar