Sentir cólica durante a menstruação é comum, mas quando a dor é intensa a ponto de impedir atividades do dia a dia, ela não deve ser encarada como algo normal. A endometriose é uma das condições que podem estar por trás desse quadro e afeta cerca de uma em cada dez mulheres em idade reprodutiva no Brasil, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). No mundo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 190 milhões de mulheres convivam com a doença.
A condição ocorre quando um tecido semelhante ao endométrio se desenvolve fora da cavidade uterina, podendo atingir regiões como ovários, intestino e bexiga. Entre os sinais que merecem investigação estão cólicas menstruais intensas e progressivas, dor pélvica fora do período menstrual, dor durante ou após as relações sexuais, dor para evacuar ou urinar durante a menstruação, alterações intestinais cíclicas e dificuldade para engravidar.
Segundo a ginecologista endocrinológica e especialista em saúde da mulher Ingrid Oliveira, professora de Medicina da Afya Uninovafapi, a intensidade da dor nem sempre corresponde à extensão da doença.
“É importante reforçar que cólica incapacitante não deve ser considerada normal. A intensidade da dor também nem sempre corresponde à extensão da doença: uma paciente pode apresentar lesões pequenas e sentir muita dor, enquanto outra, com doença mais extensa, pode ter poucos sintomas”, diz a especialista.
>>> Siga o canal do portal Coluna Sempre Mais no WhatsApp
O diagnóstico pode demorar justamente porque os sintomas são, muitas vezes, naturalizados ou confundidos com outras condições. A avaliação clínica detalhada é fundamental e, atualmente, a investigação e o tratamento não dependem necessariamente de uma cirurgia em todas as pacientes.
O tratamento é individualizado e pode envolver medicamentos para controle da dor e tratamentos hormonais, além de cirurgia em situações específicas. Quando a dor persiste mesmo após o tratamento ginecológico, a atuação de uma equipe especializada em dor pode ser importante.
A médica Beatriz Leal, especialista em Medicina da Dor e professora da Afya Educação Médica Teresina, explica que algumas pacientes continuam apresentando dor pélvica crônica mesmo depois do tratamento ginecológico adequado. Nesses casos, é necessário avaliar diferentes mecanismos envolvidos na dor.
“Pode existir dor relacionada às próprias lesões de endometriose, mas também dor muscular, dor neuropática e um processo de sensibilização do sistema nervoso, no qual o organismo passa a amplificar e perpetuar os estímulos dolorosos”, explica.
Ainda segundo Beatriz Leal, na Clínica da Dor, o tratamento pode incluir medicamentos, fisioterapia pélvica e, em casos selecionados, procedimentos intervencionistas, como bloqueios de nervos ou plexos relacionados à dor pélvica.
A abordagem também pode envolver profissionais de diferentes áreas. Isso porque a endometriose pode repercutir no sono, na disposição, no funcionamento intestinal e urinário, na musculatura do assoalho pélvico, na sexualidade, na saúde emocional, no trabalho e nos relacionamentos.



Comentários (0)
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião desta página, se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Comentar