O período junino é marcado por apresentações culturais e comidas típicas, como bolo de milho, canjica, mingua e muitos outros itens que integram a gastronomia dessa época. Para além do sabor característico, que aciona memórias e muita nostalgia, pessoas com intolerância à lactose e derivados, assim como as alérgicas, devem redobrar a atenção para aproveitarem as festividades sem desconforto e mal-estar. Seja com o uso da lactase sintética ou substituição do leite e seus derivados por produtos de origem vegetal, é possível se deliciar com o cardápio junino com praticidade, versatilidade e, principalmente, sem prejuízos à saúde.
Esse cuidado é importante, já que muitos pratos à base de milho dão a impressão de serem livres de leite, mas frequentemente incluem ingredientes lácteos em suas receitas. A professora do curso de Nutrição do Unifacid Wyden, Dênaba Luyla Lago, comenta que entre os exemplos mais comuns estão “a canjica, a pamonha e o bolo de milho. Além deles, preparações como arroz-doce, cocadas cremosas e diversos tipos de bolos costumam levar leite, manteiga, leite condensado ou creme de leite. Por isso, pessoas com intolerância à lactose ou alergia às proteínas do leite devem sempre verificar os ingredientes utilizados antes do consumo”, orienta.
Umas das dicas sugeridas pela docente é a leitura atenta dos rótulos para identificar a presença de leite e seus derivados. Além do termo “leite”, é importante observar ingredientes como leite em pó, leite condensado, creme de leite, manteiga, queijo, requeijão, soro de leite, caseína e caseinato. “A legislação brasileira também determina que os principais alergênicos sejam destacados nas embalagens. Por isso, é essencial verificar informações como ‘alérgicos: contém leite’ ou ‘pode conter leite’. Para quem tem alergia à proteína do leite, esse alerta é indispensável. Já pessoas com intolerância à lactose podem optar por produtos identificados como ‘zero lactose’, quando necessário”, explica Dênaba.
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Na atualidade, existem diversas opções que permitem adaptar receitas tradicionais sem comprometer o sabor. O leite de vaca pode ser substituído por bebidas vegetais, como as de coco, aveia, amêndoas ou castanhas. A professora Dênaba pontua, ainda, que a manteiga pode dar lugar a óleos vegetais ou cremes vegetais sem leite. “Em sobremesas, é possível utilizar versões sem lactose do leite condensado ou alternativas preparadas com bebidas vegetais. O mais importante é planejar as receitas e conferir cuidadosamente os ingredientes para evitar desconfortos ou reações indesejadas”, observa.
Sintomas, diagnóstico e cuidados para evitar problemas à saúde
De acordo com o médico gastroenterologista do IDOMED, Paulo Rios, uma das características que pode explicar a frequência de pessoas com intolerância à lactose e derivados “é que nós somos os únicos mamíferos que utilizamos o leite que não é da nossa mãe, às vezes, ainda na fase da infância e, sobretudo, após o período de amamentação. Para os casos de intolerância, os sinais clínicos são claros: a pessoa toma o leite, derivado ou consome algum alimento que contém o produto, e geralmente apresenta desconforto, flatulência, dor, cólica e, em alguns casos, até diarreia”, destaca.
Existem testes para identificar o problema, seja por testagem sanguínea ou respiratória. A partir do momento que o médico confirma o diagnóstico clínico e laboratorial, a recomendação é ter o cuidado de não utilizar o leite e derivados de lactose. “Não é algo tão difícil na atualidade, especialmente porque existem diversos produtos vegetais que podem ser utilizados em substituição, como leite de soja, castanha, entre outros. Nos casos em que o consumo precisa acontecer, outra medida é tomar a lactase sintética. Ela precisa ser consumida com, pelo menos, cinco minutos antes de comer o alimento. Mas, no dia a dia, o ideal é utilizar produtos livre de lactose”, recomenda.
Quanto à alergia, o Dr. Paulo ressalta que se trata de algo mais sério exigindo acompanhamento de médico especializado na área, como o alergologista. Para esses quadros, “são outros exames com foco no diagnóstico correto e há medicamentos antialérgicos, mas pouco eficazes, além do risco de agravar os sintomas em exposições repetidas ao alergeno alimentar. No caso de acontecer a ingestão, é importante ir a uma unidade de saúde”, frisa. O médico acrescenta que no período de festas juninas, muitos produtos utilizam leite, portanto “pessoas que são intolerantes podem consumir com uso de lactase sintética ou adaptando pratos típicos para versões com produtos sem leite e seus derivados”, finaliza.
Confira receita de bolo de milho sem leite e derivados por Dênaba Lago
Bolo de milho sem leite
Ingredientes:
2 xícaras de milho-verde (fresco ou enlatado escorrido);
3 ovos;
½ xícara de óleo vegetal;
1 xícara de açúcar;
1 xícara de farinha de milho ou fubá;
1 colher (sopa) de fermento químico em pó;
200 ml de leite de coco.
Modo de preparo:
Bata no liquidificador o milho, os ovos, o óleo, o açúcar e o leite de coco até obter uma mistura homogênea. Acrescente a farinha de milho e bata rapidamente. Por último, adicione o fermento e misture delicadamente. Despeje a massa em uma forma untada e asse em forno preaquecido a 180°C por aproximadamente 35 a 40 minutos, ou até dourar.



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