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Procissão dos Passos

O caminho sagrado que une fé, memória e tradição no coração de Oeiras

Manifestação centenária reúne multidão sob forte calor e reafirma a força da tradição religiosa no Piauí

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 Pedro Silva - Sempre Mais

Na Sexta-feira dos Passos, fé e tradição se encontram nas ruas de Oeiras. Devotos e fiéis se reúnem na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário, onde a imagem do Senhor Bom Jesus permanece em silêncio, entregue à contemplação. O ambiente é de recolhimento: orações baixas, olhares demorados e uma devoção que não precisa de pressa.

No centro histórico, a cidade ganha novos contornos. Romeiros e visitantes, vindos de diferentes partes do Piauí e de outros estados, ocupam as ruas, transformando o cenário em um verdadeiro testemunho de fé coletiva. O roxo, cor que simboliza a Quaresma, se espalha pelas fachadas antigas, pelas roupas, pelos detalhes, uma cor que carrega em si penitência, conversão e espera, tingindo tudo com um sentimento profundo de introspecção.

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Após a celebração, Oeiras parece atravessar o tempo. Suas ruas de pedra deixam de ser apenas caminhos e se tornam memória viva, evocando a Jerusalém antiga, cenário simbólico dos últimos passos de Cristo rumo à crucificação. É quando o cortejo ganha forma. Lentamente, uma multidão segue em caminhada, como se cada passo carregasse não só o peso da tradição, mas também das próprias promessas.

Ao longo do percurso, as paradas, conhecidas como “Passos”, marcam o trajeto. Pequenas capelas, abertas apenas nesse período, surgem como pontos de pausa e oração. Decoradas com flores delicadas, conhecidas como Flor do Passo, acolhem os peregrinos em instantes de silêncio e reflexão. Cada parada relembra as quedas de Cristo, traduzindo em gesto e fé o caminho até o Calvário.

E então, o silêncio se rompe. A voz de Verônica, ou Maria Beú, como é chamada em Oeiras, ecoa entre as paredes antigas e o céu aberto. Seu canto de lamento atravessa a multidão, costurando dor, memória e devoção em um dos momentos mais intensos da celebração.

A procissão, que percorre pouco mais de três quilômetros sob o calor forte e o tempo abafado, abre oficialmente a Semana Santa na cidade. Entre os fiéis, há quem caminhe descalço, quem carregue cruzes em cumprimento de promessas, quem vista crianças de roxo, como sinal de fé herdada e partilhada. Cada gesto é uma história silenciosa.

Um dos momentos mais esperados acontece na Praça da Glória, quando as imagens de Nossa Senhora das Dores e de Jesus Cristo se encontram. É um instante de emoção coletiva, lágrimas, silêncio e devoção se misturam, como se o tempo, por alguns segundos, parasse para contemplar o encontro.

Tradição que atravessa gerações

Considerada uma das maiores manifestações religiosas do Nordeste, a Procissão do Bom Jesus dos Passos é realizada há mais de um século e, em 2025, reuniu mais de 30 mil fiéis, segundo a Diocese de Oeiras. Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Piauí, a celebração ultrapassa fronteiras e atrai visitantes de diversas regiões, reafirmando a força cultural e espiritual da cidade.

A fé que continua

A programação da Semana Santa segue intensa em Oeiras, conhecida popularmente como "Capital da Fé" devido aos diversos eventos religiosos que acontecem na primeira capital do Piauí, reunindo fiéis em uma sequência de rituais que atravessam os dias e aprofundam o sentido da celebração. Entre confissões, missas e procissões, a cidade mantém vivo um calendário que culmina no Tríduo Pascal — com a Ceia do Senhor, a Procissão do Fogaréu, a celebração da Paixão e a Vigília Pascal. O encerramento, no Domingo de Páscoa, celebra a ressurreição com procissão e missa solene, reafirmando, mais uma vez, a fé que move gerações.

Por: Especial portal Coluna Sempre Mais

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