Chegou março e, com ele, aquela avalanche de mensagens sobre o Dia Internacional das Mulheridades. Este texto, porém, não nasce da intenção de nos rotular como "incríveis", "fortes" ou "guerreiras".
Na verdade, este espaço é um convite à memória. É sobre resistência e luta, narradas através da potência das produções literárias e cinematográficas.
(Nota: O termo mulheridades refere-se à pluralidade e diversidade das experiências, identidades e vivências femininas, indo além do conceito singular de "mulher" para abraçar as diferentes realidades de classe, raça e existência).
Recentemente, os projetos Ação SOL (Saberes, Oralidade e Literatura) e CINE HISTÓRIA UESPI (História, Gênero e Cultura), vinculados à Pró-Reitoria de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários da Universidade Estadual do Piauí (PREX/UESPI)I, realizaram o evento híbrido "Memória e (Re)existência: Mulheres na Ditadura Civil-Militar Brasileira". O encontro aconteceu no campus Possidônio Queiroz, em Oeiras–PI, com transmissão pelo YouTube, e trouxe reflexões fundamentais que compartilho agora com vocês.
Para entender o papel das mulheridades sob a repressão e o peso do silenciamento, deixo estas indicações:
Livros para ler e resistir

imagens: reprodução
Esperança Equilibrista: resistência feminina à ditadura militar no Brasil (2016), de Olívia Rangel Joffily: Uma investigação profunda sob a lente feminista, que aborda da militância à tortura, destacando como as questões de gênero e classe moldaram a repressão.
Tropical Sol da Liberdade (2012), de Ana Maria Machado: Obra fundamental que narra a jornada de uma jornalista em busca de reconstruir sua sanidade e identidade após a prisão, em meio à transição democrática do país.
Guerrilheiras: memórias da Ditadura e militância feminina (2023), de Juliana Marques do Nascimento: Analisa a memória política brasileira através das trajetórias de figuras como Dilma Rousseff e Iara Iavelberg, explorando o legado da militância feminina.
Filmes para ver e sentir
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Torre das Donzelas (2018), dir. Susanna Lira: Um documentário sensível onde ex-presas políticas revisitam suas vivências no Presídio Tiradentes, resgatando a solidariedade feminina como forma de sobrevivência no cárcere.
Repare Bem (2012), dir. Maria de Medeiros: O filme acompanha três gerações de mulheres marcadas pela perseguição, focando na história de Denize Crispim e na transmissão intergeracional do trauma.
Que Bom Te Ver Viva (1989), dir. Lúcia Murat: Marco do cinema nacional que mescla realidade e ficção para investigar as sequelas da tortura nas sobreviventes, em um relato potente sobre a urgência de manter a memória viva.
Que estas obras não sejam apenas registros do passado, mas ferramentas para compreendermos as mulheridades do presente. Relembrar as trajetórias de quem nos antecedeu na luta é um ato de justiça e um combustível necessário para que as vozes femininas nunca mais sejam silenciadas. Afinal, a memória é o que nos permite (re)existir.
Mais uma Página
O 'Mais uma Página', apresenta indicações de novos livros, recordar clássicos, descobrir tendências, revirar curiosidades literárias e muito mais.
Conteúdo assinado por Arysa Cabral
Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Cariri (UFCA). Mestra em Biblioteconomia pelo Programa de Pós-graduação em Biblioteconomia - Mestrado Profissional (PPGB/UFCA). Pós-graduanda em História, Cultura e Literatura Afro-Brasileira e Indígena pela UniCesumar. Atualmente é professora do Curso de Biblioteconomia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual do Piauí (CCSA/UESPI). Pesquisadora de temas como: biblioterapia, literatura, leitura e formação de leitores.



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