Assim como o Dia das Mães, o Dia dos Namorados e o Dia dos Pais, o Natal também é uma data atravessada por fortes apelos comerciais, isso é inegável. No entanto, para além do capitalismo que envolve essa celebração, o Natal permanece como um tempo simbólico de encontros, partilhas e celebração da vida. Não apenas no sentido do nascimento de Jesus Cristo ou do velho Papai Noel, mas como um momento de fortalecimento dos vínculos familiares, das amizades e das relações afetivas.
Nesse contexto, pensar o presente como gesto de cuidado e significado torna-se ainda mais necessário. Recentemente, a Solisluna Editora lançou uma newsletter intitulada “Presentes que contam histórias”, reforçando a ideia de que livros sempre são o melhor presente, entendimento com o qual esta autora concorda plenamente e assina embaixo.
Mas, afinal, por que presentear livros no Natal? Por que não deslocar o foco do “melhor” brinquedo, da roupa mais desejada ou do perfume da moda para o melhor livro? Ao oferecer um livro, oferece-se também uma experiência leitora, imaginativa e reflexiva, algo especialmente valioso após um ano marcado por exaustão, pressa e excesso de estímulos. Um livro pode ser pausa, acolhimento e possibilidade de reencontro consigo.
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Presentear livros é um gesto que dialoga diretamente com um desafio social urgente. A 6ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, lançada há um ano, revelou que, nos últimos quatro anos, o país perdeu 6,7 milhões de leitores. Pela primeira vez na série histórica, o número de não leitores superou o de leitores: 53% da população brasileira não leu, sequer em parte, um livro de qualquer gênero.
Diante desse cenário, cabe a reflexão: essa realidade mudou em 2025? Você faz parte dessas estatísticas? Mais do que isso, de que forma podemos contribuir para que outras pessoas deixem de integrá-las? O ato de presentear livros, ainda que simples, pode ser uma estratégia potente, sobretudo quando acompanhado de afeto, intenção e diálogo.
Sou suspeita para falar, pois tenho o prazer de presentear com livros. Faço isso consciente da quantidade de benefícios que essa prática proporciona: estímulo ao pensamento crítico, ampliação do repertório cultural, desenvolvimento da empatia e fortalecimento dos laços afetivos.
Por isso, no Natal, quando o sentido do presente se confunde com o próprio gesto de estar junto, um livro pode ser mais do que um objeto: pode ser memória, encontro e possibilidade de transformação.
Mais uma Página
O 'Mais uma Página', apresenta indicações de novos livros, recordar clássicos, descobrir tendências, revirar curiosidades literárias e muito mais.
Conteúdo assinado por Arysa Cabral
Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal do Cariri (UFCA). Mestra em Biblioteconomia pelo Programa de Pós-graduação em Biblioteconomia - Mestrado Profissional (PPGB/UFCA). Pós-graduanda em História, Cultura e Literatura Afro-Brasileira e Indígena pela UniCesumar. Atualmente é professora do Curso de Biblioteconomia do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Estadual do Piauí (CCSA/UESPI). Pesquisadora de temas como: biblioterapia, literatura, leitura e formação de leitores.



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