Estudar na universidade pública, gratuita e de qualidade possibilita escrever bem um texto ou produzir um planejamento de aula? Sim, é a resposta óbvia. Agora ser lido pelos leitores é outro esforço. Essa última é uma afirmativa tão simplista, quanto saber usar um ChatGPT, ou outra solução de escrita de texto. Reformulo a pergunta, para que a/o leitor/a compreenda. Por que cursar uma universidade pública, gratuita e de qualidade é torna-se capaz de escrever um texto para ser lido ou planejar boas aulas de forma autoral? Uma pista desta resposta é que a chamada “Divulgação Científica” não funciona bem assim. Ser lida ou lido é uma luta por buscar quem ainda queira ler algo profundo e reflexivo. Nunca se produção e circulou tantos textos, dados e informações. Estamos vivendo o tempo histórico dos excessos contemporâneos. Advertência ao continuar essa leitura é para duvidar de todas respostas óbvias. Duvidar do óbvio é uma das funções do ensino de história de qualidade na universidade.
Duvidar do óbvio é uma das funções do ensino de história de qualidade na universidade. Duvidar e questionar o óbvio das respostas e senso comum do cotidiano é uma das inúmeras funções dos professores-pesquisadores atuantes com qualidade nas universidades públicas brasileiras, incluindo sua gratuidade, diante do Brasil tão desigual social e economicamente. A postura acadêmica de questionar o senso comum está no cerne do ensino e da pesquisa na universidade pública, e ao mesmo tempo, em contato com as demandas da comunidade ao seu redor. As demandas são infinitas, como são a vida, e assim vale perguntar, cara leitora ou caro leitor, se as demandas são infinitas a divulgação das Ciências Humanas, em particular da História ensinada é infinita também?
No campo científico ler não é um ato exato sem mediações de toda ordem. No caso desse texto, para responder se as demandas da História ensinada são infinitas proponho que, caro leitor e cara leitora, criem uma imagem mental de uma sala de aula de História. Uma vez criada essa imagem, veja como esse lugar, sala de aula, envolve o ofício de ensinar, a postura da/o professor/a ao narrar determinado acontecimento, envolve o ensino de História na escola básica ou na universidade, e também envolve uma ou algumas perspectivas e abordagens, como exemplo, explicitar as formas pelas quais usa-se essas fontes históricas ou não outras.
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Feita essa tarefa da imaginação, defendo que imaginar uma aula de história é uma construção inédita como escrever a lápis, vai se escrevendo e pode-se apagar e escrever novamente, mas fica a marca da primeira escrita no papel, pois a palavra falada e emitida pode ser escutada pelos estudantes, e precisa-se nessa aula dar pistas aos estudantes do porquê usa uma abordagem e uma visão de História, e não outra. Há certos saberes docentes em circulação e não outros saberes. Há uma caixa de ferramenta (campo da didática da história ou campo teórico-metodológico) a ser respeitada para produzir uma História escolar ensinável para determinado público escolar e para quem lê ou escuta.

Por que escrever sobre as regras científica de se produzir uma narrativa em sala aula de História? Com tantas perguntas para refletir, escrevo que fazer uma aula de história é sempre um fazer artesanal, como escrever a lápis, há uma provisoriedade perecível, é como se fosse escreve com o tipo à lápis, sem usar a mecânica prontas das inteligências artificiais, pois lecionar história trata-se do fazer artesanato humano é um ato criativo humano.
De outro lado, podes pensar: é uma atividade técnica ensinar História? É uma atividade técnica escrever um bom texto? Basta seguir regras gramaticais, ou basta seguir um planejamento, metodológicas prontas, como copiar uma receita pronta de uma aula já dada na internet. E, pronto se tem uma aula de História ou um texto escrito de qualquer conteúdo sem esforço de reflexão. E, assim as/os professoras/es do mundo todos são substituídos por aulas prontas da internet, e a função professora é trata-se como ventríloquo de um produto pronto dado pela busca de planejamento de aulas disponíveis nos sites da internet, como exemplo, as plataformas como instrumentos únicos para disseminar o conhecimento. Ou, não precisamos de escritores, tais como Itamar Vieira, escritor do livro Torto Arado (2023) e outros.
Defendo que ao produzir qualquer texto ou planejamento em sala de aula não se usem aplicativos, tais como o ChatGPT, ou outra fórmula pronta disponíveis pelos sistemas algorítmicos. Imagine-se realizando o trabalho de escrita artesanal como ato criativo, repito. Imagine-se realizando uma criação única e singular, como um trabalho de massinha de modelar. Faça o trabalho corporal de buscar as palavras, conjugar os verbos e montar as frases, produzir sentidos e significados, montar um planejamento autoral, por meio da forma analógica. A minha sugestão tem um argumento escondido na própria Ciências Humanas, em especial, na História ensinada. Os atos humanos de ensinar; digo e repito, que não estou defendendo a restrição ou negação em se consumir PodCast, YouTube, TickTok, Instagram ou plataformas diversas; que defendo são do campo da atitude humana ligada à insubmissão dos saberes e fazeres docentes frente a estas plataformizações. Seria nossas novas formas de realizar greve e protestos em defesa da profissão docente? Podemos refletir a respeito...
O que uma professora de história faz aqui escrevendo analogicamente e fora do mundo digital, como se fosse possível convencer a leitura ou o leitor de que no passado ao escrever a lápis uma aula de história era melhor que o presente plataformizado? Vem o pensamento de que se trata de idealismo e nostalgia!? Minha função aqui é a não submissão como natural do mundo plataformização da sala de aula que toca um tipo reflexivo da atividade docente, e provocar como, tantos cientistas invisíveis, tomar para si o desafio de dialogar com um público leitor os debates da História ensinada, dentro da grande área das Ciências Humanas. As Ciências Humanas, em específico, a História ensinada, é para ser lida por qualquer geração? Sim, mas como será lida, irá depender da geração. Desejo que a geração Alfa não só escreva a lápis, como seja criativa e crítica com as novas linguagens plataformizadas e tecnológicas.

Sopro de Ideias
O espaço Sopro de Ideias, assinado pela profª pós Doc. Yomara Caetano, propõe um diálogo entre subjetividade e objetividade, convidando à reflexão sobre temas que atravessam o cotidiano acadêmico, cultural e social. Mais do que discutir metodologias e conteúdos científicos, o espaço aborda comportamentos, relações humanas e os impactos das tecnologias na forma como produzimos conhecimento. Ao integrar memória, sensibilidade e análise, Sopro de Ideias se apresenta como um convite à construção de um pensamento mais atento ao tempo, à escuta e à ética, especialmente no contexto da formação de pesquisadores e do ensino de História.
Conteúdo assinado por Yomara Caetano
Graduada em Direito e História, leio mulheres intelectuais, estudo a linguagem cinematográfica e psicanálise. Doutora em História do Tempo Presente pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC, 2018). Atualmente, sou professora na Universidade do Estado do Piauí (UESPI, 2024). Meu interesse é aproximar os saberes produzidos na universidade da comunidade onde essa instituição vive, e vice-versa, e isso é chamado de divulgação científica. Esses textos tem caráter ensaístico.
Dedico essa Coluna ao Heitor, filho amado, integrante da geração Alfa.
Contatos
Universidade do Estado do Piauí - UESPI
E-mail: yomaraoliveira@ors.uespi.br
Referências
DIAS, Geovana P.; VENERA, Raquel Alvarenga de Senna; OLIVEIRA, Yomara Feitosa. Caetano. Memórias do ensino de História: experiências de transcrição científica. CADERNO DE INICIAÇÃO À PESQUISA (UNIVILLE). v.26, p.1 - 248, 2024.



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